Refiz esse texto 3 vezes até conseguir mostrar realmente um pouco da minha pessoa.
Eu nunca pensei em trabalhar por conta própria. Me acostumo rapidamente com as coisas que acontecem ao meu redor (a palavra correta seria acomodar-se) e, ter um próprio negócio seria algo muito acima daquilo que podia fazer. Ainda bem que existem sonhos, e existem os amigos. Não foi nada fácil resolver ser meu próprio chefe, devido às manias errôneas, minha falta de compromisso e meu desmazelo (desleixo). Claro que isso não dura para sempre, pois é uma fase, e pude contornar a situação a partir do momento que vi que seria o chefe da casa.
Demorei muito para decidir em que eu iria atuar profissionalmente. Terminei meu colegial em 2005, decidi fazer um curso de fotografia em 2007, mas de lá pra cá esse sonho chegou a ser enterrado. Fiz um “estágio” num estúdio fotográfico durante 3 meses em 2008 e, devido a imaturidade que tinha, desisti de continuar lá. O temperamento da fotógrafa não batia com o meu e disse a mim mesmo: “se eu fosse virar fotógrafo pra ter o temperamento dela, prefiro não o ser”. Em 2009 ganhei uma câmera mas fui roubado meses depois. Não consegui nem mexer nos recursos da câmera direito. Em 2010, ganhei outra câmera e foi a partir desse ano que tinha decidido o que queria. Entre esses anos, pensei em fazer design gráfico, turismo (estava terminando meu inglês e ainda não havia decidido) e web designer (trabalhei numa empresa da área e achava o máximo). Mas minha paixão estava nas fotos.
Esse ano decidi investir meu tempo e dinheiro (mais meu tempo) para melhorar minha composição fotográfica e escolher o ramo que ia atuar; estudei técnicas para uma boa foto, busquei referenciais, comprei livros, renovei a assinatura das revistas Fotografe e Técnica e Prática e estou aqui compartilhando um pouco das direções que tenho tomado.
De início, tive que adaptar o trabalho às minhas condições, pois como disse no começo do texto, eu me acomodo muito fácil. Sou um cara sincero e não tenho medo de expor meus erros. Não foi fácil, porém com o tempo fui aprendendo a separar a responsabilidade profissional do lazer. Falo isso pois trabalhar em casa é algo muito mais relaxante: não há quem pressione você, não há necessidade de vestir uniformes (ou roupas mais formais) e erros podem ser cometidos sem nenhum medo. Mas mantenha o foco: marcar o horário de trabalho, de pausa, metas a serem alcançadas e tudo o mais que uma empresa impõe (eu deixo de lado as roupas formais e uniformes, pois nunca gostei de usá-las) não é uma opção, e sim um dever.
Recentemente fui à casa do Renan, um amigo meu muito próximo. Compartilhei algumas ideias com ele e ele expôs suas opiniões, mostrou onde eu poderia melhorar e o que eu poderia fazer para atrair mais clientes, e fez críticas quanto ao meu desempenho de divulgação. Críticas são sempre bem vindas, pois são elas que mostram erros que não vemos. Claro que eu não fiquei muito satisfeito com o que ele disse, e, como disse que não sou perfeito, me fechei completamente em relação ao seu feedback comigo. Erro meu, pois devemos sempre ver as críticas como comentários “altruístas”. Se por um lado receber elogios é um “bem” que o ego quer receber, por outro o “não ser criticado” é falta de oportunidade para mudanças. Não podemos ter medo nem debater de frente com as críticas, pois são elas que abrem nossos olhos para novas oportunidades.
A diferença em criticar e ser criticado é meio gritante em mim. Sou muito crítico, mas quanto ao ser criticado, me fecho as vezes. Na hora dói, mas sei que depois isso será bom para mim. Pensei bem na situação de trabalhar por conta própria: eu podia muito bem ter entregue alguns currículos e trabalhar para outro estúdio, estar trabalhando para outro fotógrafo, ou para uma equipe de fotógrafos. Porém (ainda) não encontrei um bom estúdio aqui na região onde moro. Quer dizer que não tem? Claro que não, porém como disse: sou muito crítico. Vi aqui na minha cidade que há estúdios tão padronizados que, ao meu ponto de vista, parece que estou visitando mais uma filial de um estúdio “x”. Meu foco é oferecer um trabalho diferenciado daquilo que vi por aqui, e foi por isso que investi em mim mesmo para não oferecer a mesma coisa oferecida em diversos lugares diferentes. Sou muito crítico comigo mesmo, e toda vez que faço um trabalho, paro, analiso e reflito: “Onde está o diferencial nessa foto?”
Estou expandindo minha visão aos poucos, mas foi por esse motivo que não trabalhei para outros.
Entre essas passagens e outras, muitas coisas estão mudando. Estou me desempenhando melhor, a qualidade das minhas fotos melhoraram, e minha determinação está em fase de crescimento. Quis expor um pouco a minha história e não vou estender muito porque sei que as vezes é cansativo ler um texto desse tamanho, mas espero que tenham entendido um pouco a minha pessoa (coisa que não faço muito é me expor, mas achei que seria necessário).